sexta-feira, 30 de março de 2018

5 livros com uma cor no título


E a respeito do nosso Desafio Literário...

Sobre o item "cor no título", a gente tem que procurar um livro com título colorido? Então, não é isso. Até porque todo livro tem o título de alguma cor, mesmo que a cor seja branca, preta ou cinza. Um livro que tenha uma cor no título significa apenas que você precisa ler um livro que tenha o nome de alguma cor no título. Confuso? Nem tanto, né?

Então você se pergunta como vai encontrar um livro bom que tenha o nome de uma cor no título. Pode acontecer de você acabar lendo um livro não muito bom só para cumprir o desafio. Mas podemos evitar isso. Em vez de sair colocando nomes de cores variadas no search do Google, eu vou tentar facilitar as coisas para você. Aqui neste post, vou fazer uma lista de 5 livros bons que têm uma cor escrita em seu título.

Vamos lá:

1. Laranja Mecânica

 Excelente distopia de Anthony Burgess, adaptado para o cinema pelo diretor Stanley Kubrick. Fiz uma resenha do livro, na época em que li. Curiosamente, ele também fez parte de um Desafio Literário, com o tema "Filme ou Livro?".

2. Um Estudo em Vermelho


Um romance policial de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Narra o primeiro caso do famoso detetive, quando o Dr. Watson acaba de se mudar para 221B Baker Street.

3. O Rei de Amarelo

https://grivetart.deviantart.com/art/The-King-in-Yellow-454909840

Livro de contos de terror fantástico, do autor Robert W. Chambers. O livro inspirou autores de diversas gerações, como Neil Gaiman (favorito desta que vos fala), H. P. Lovecraft e Stephen King. Assim como a primeira temporada da série investigativa True Detective. O título do livro faz alusão a uma peça teatral fictícia e a seu personagem central, que é mencionado em quatro dos contos.

4. Antes do Baile Verde


Mais um livro de contos, só que agora realistas. Reunião de narrativas escritas entre 1949 e 1969. É considerado por muitos o livro de contos literariamente mais bem-sucedido de Lygia Fagundes Telles.

5. A Bússola Dourada


Primeiro volume da trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials), série de fantasia do autor Phillip Pullman. Uma das melhores séries de fantasia que eu já li; logo, podem esquecer aquela adaptação cinematográfica horrível . Este primeiro livro, na minha opinião, demora a engatar, mas depois que você supera a irritação pela protagonista, é maravilhoso.

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"Mas Marina, e o '50 tons de cinza'? Não entra na sua lista?"

Então, eu já li os três livros e não gostei. Não gostei da história, nem da narrativa, nem do estilo de escrita. Achei desnecessariamente longo, achei que três volumes podiam ser só um. E achei também um livro extremamente misógino. Sou totalmente contra a romantização de relacionamento abusivo. Como erótico, tenho indicações bem melhores que ele.

Mas se você tiver interesse em ler, dou o maior apoio! 😊

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E então? Leu algum desses? Tem algum outro livro que deveria estar nessa lista?
Espero que eu possa ter ajudado no seu Desafio.
Até a próxima e boa leitura!

sexta-feira, 9 de março de 2018

Resenha: Intermitências da Morte

Eu só havia lido um livro de Saramago: Caim. Não sei se por chatice minha mesmo ou se porque não é o melhor livro dele, a impressão que eu tinha do autor não era muito boa. Passei anos sem ler nada dele, até que me caiu nas mãos As Intermitências da Morte e um amigo recomendou que eu desse uma chance de coração aberto. Não fui de coração aberto, mas meu coração foi forçado a ir se abrindo aos poucos.

O que aconteceria se, de repente, as pessoas parassem de morrer? Parece uma coisa boa, de início. Mas será que é boa mesmo? E se a pessoa estivesse muito doente? Ou muito idosa? Ou sofresse um acidente que a deixasse em estado vegetativo sem nenhuma chance de melhora? Talvez não fosse muito agradável. Então, este livro conta a história de quando a morte resolveu tirar férias.

Lá pro meio do livro, somos apresentados à morte. Assim mesmo, com letras minúsculas. Com seu manto preto, face encovada, foice afiada e suas cartas de cor violeta. Essa virou minha parte favorita do livro, do meio pro final. E o desfecho é incrível. Me fez ter vontade de recomeçar a ler tudo de novo. E, lendo resenhas por aí, eu descobri que é uma vontade até bem comum entre os leitores.

A narrativa de Saramago - sem pontuação, sem parágrafos, apenas frases corridas - é bastante peculiar e eu confesso que me dava uma certa agonia. Mas depois que você entende e acostuma, vira quase natural. A leitura se torna fluida, fácil. Sem interrupções.

E o sarcasmo. Coisa de quem sabe o que está fazendo. Nada contra o novo (nada mesmo, inclusive adoro e indico sempre a leitura de novos autores, pode conferir no meu Desafio Literário), mas é muito delicioso ler uma narrativa de quem sabe o que está fazendo. Gente que sabe contar história, sabe iludir, sabe dobrar sua realidade, colocar no bolso e lhe apresentar outra diferente. Por isso eu também insisto sempre que se leiam os clássicos e os intocáveis. Você nunca se arrepende. Mesmo quando não gosta muito, aprende uma coisa ou outra.

Recomendo demais esse livro. Já botei na lista mais alguns de Saramago e agora vou de coração aberto, porque ele me conquistou para sempre. Leio até Caim de novo. Vai que foi só chatice momentânea mesmo?

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E você? Já leu este livro?
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sexta-feira, 2 de março de 2018

5 dicas para ler "melhor"

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Ler "melhor". Entre aspas.

Porque, pessoalmente, não acredito muito em uma fórmula para ler. Para mim, o melhor jeito de ler é aquele que se adapta bem à nossa rotina, às nossas particularidades de leitura.

Só que existem aqueles livros mais complexos, cabeçudos, e pode acontecer de você terminar a leitura e ficar com um monte de interrogações na cabeça. Ou nem conseguir concluir. Ou ler e esquecer logo, porque não tirou nada significativo dele. O que você faz? Não lê esse tipo de livro? Claro que não.

A leitura não deve ter limite.

Mas, então você pensa: por onde eu começo?

Como eu já falei anteriormente, o hábito da leitura é um exercício. Consiste em você começar a ler e ir progredindo, como qualquer exercício que a gente faça, seja físico ou mental. Você vai começar por livros mais simples e ir evoluindo para mais difíceis.

Mas mesmo assim, passar para os mais difíceis pode dar uma certa preguiça. Se é para ser uma diversão, qual o sentido de você ler uma coisa que dá trabalho? O sentido é que quanto mais você passa de um nível, mais você deve procurar desafios. A zona de conforto, no final das contas, é um lugar nada mais que confortável. A diversão está fora dessa bolha. A diversão está em, além de se divertir lendo, você se desafiar e aprender coisas novas. Apreciar uma narrativa inteligente. Entender por que aquele autor é tão aclamado. Melhorar o vocabulário. Melhorar a cultura.

Claro que você pode continuar sempre lendo as mesmas coisas. Não tem problema nenhum nisso. É melhor que não ler. Mas se você quer tirar o maior proveito do seu hábito de leitura, eu listei aqui algumas dicas:

1. Procure informações sobre o autor

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Aqueles autores clássicos, o que eles têm de especial? Com certeza deve existir alguma coisa. Seja a época em que ele viveu, o estilo como ele escreve, o assunto que ele aborda; tudo isso diz algo sobre ele.

Jane Austen resolveu escrever romances num período em que as mulheres viviam para arrumar um marido e ter filhos. Suas histórias ironizam essa busca e apresentam protagonistas com ideias bem incomuns pra época. As irmãs Brontë conseguiram publicar seus livros sob pseudônimos masculinos. Em suas obras, uma lição de feminismo, que talvez para nós não seja tão significativa quanto então.

Essas foram só um exemplo, mas informações como essas podem fazer uma grande diferença na sua leitura. Procure saber um pouco sobre o autor que você está lendo: época, estilo, narrativa. Pelo menos para situá-lo num contexto e facilitar a compreensão.

2. Procure textos auxiliares e resenhas de outros leitores

Foto: Chris Lowel
Não apenas para ajudar na leitura, os textos auxiliares dão algumas informações interessantes e opiniões de críticos sobre o livro e o autor. Para os leitores cuidadosos com spoilers, talvez seja bom deixar para ler os textos auxiliares depois do término da leitura. Então, depois de lê-los, talvez voltar ao livro, em algumas partes a que os textos se referem, para reler e aprender um pouco mais.

Alguns livros possuem textos auxiliares no prefácio. Quando estava lendo Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, encontrei alguns na minha edição. Mas você pode encontrá-los também espalhados pela internet ou em outras edições mais novas do livro. Você pode ir a livrarias e folhear outras edições dos livros, à procura deles.

Você pode também procurar resenhas de bons resenhistas na internet. Eu indico sempre o canal da Tati Feltrin, tudo do Homo Literatus e as resenhas da Taize. Como eu não ligo muito para spoilers, às vezes eu procuro por aí inclusive as indicações dos livros que eu leio.

3. Não passe por cima de coisas que não entendeu

Não sei se você faz isso, mas eu já fiz muito: se estou lendo um livro e não conheço uma palavra, muitas vezes procuro entender o contexto dela na frase. É muito importante, para enriquecer o nosso vocabulário, procurar o significado real daquela palavra no dicionário. Isso só se torna um pouco contraprodutivo, porque nem sempre a gente tem um dicionário à mão. Com o kindle fica mais fácil, porque ele procura a palavra no dicionário apenas clicando em cima dela.

De toda maneira, você não precisa fazer isso sempre. Na verdade, você não precisa fazer isso nunca, se conseguir pegar o sentido pelo contexto. Em casos de livros em um idioma diferente do seu, mas que você domina, acaba atrasando demais a leitura se você ficar procurando todas as palavras que não conhece.

Se você conseguir entender pelo contexto, OK. Só não passe por cima delas.

Existem os casos dos livros que colocam frases em outro idioma.

O livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, é com certeza um livro bastante trabalhoso. Nele, encontramos várias frases em latim, um idioma que muita gente não domina, e não tem notas de rodapé com traduções. Então, é importante procurar traduzir você mesmo essas frases para entender o livro, seja através do tradutor do Google, seja por alguns blogs na internet que já tem as traduções prontas. Mas não deixe passar. Passar por cima dessas frases pode comprometer o entendimento completo do livro.

4. Tome notas

Não precisa ficar anotando tudo como se estivesse estudando. Mas grifar partes interessantes ou, para quem não gosta de riscar livros, anotar em algum lugar - cadernos ou mesmo post its -, termina sendo um bom exercício para recordar partes do livro que você não gostaria de perder com o tempo.

Alguns leitores costumam manter um diário de leitura. Isso pode ser feito de várias maneiras. Você pode separar um caderno só para as suas leituras e em cada página fazer uma resenha do livro. Ou em vez da resenha, fazer pequenas anotações, ou anotar frases que você gostou, ou sua opinião sobre um personagem.

Eu acho muito interessante a ideia de fazer um diário de leitura de papel, principalmente se você tem costume - ou gostaria - de manter bullet journal. Eu mantenho um, mas é um diário de escrita, então achei demais ter um diário de leitura também. Como eu tenho um perfil no Skoob, acabo fazendo meu diário de leitura por lá. Anoto pequenas frases ou trechos de que gostei no histórico de leitura do livro e faço uma resenha quando termino. Depois publico aqui no blog.

5. Grupos de leitura

Juntar amigos para fazer um Clube do Livro é, além de divertido, um grande aprendizado. Primeiro que, se você já sabe que vai ter que discutir aquele livro depois, isso faz com que você leia o livro com maior atenção. Segundo, você vai conhecer outros pontos de vista e outras opiniões. É enriquecedor.

Se você não consegue reunir amigos para ler, pode procurar esses grupos na internet. Por exemplo, o #infinistante. Eu já participei de alguns, mas há algum tempo decidi manter meu próprio ritmo de leitura, para não atrapalhar o progresso de escrita do meu segundo livro. Então fiquei só com o Desafio Literário. Como alguns amigos e leitores participam dele e eu estou sempre escrevendo resenhas, acabo sempre discutindo alguns livros com um ou outro.


"Muitos não sabem quanto tempo e fadiga custa a aprender a ler. Trabalhei nisso 80 anos e não posso dizer que o tenha conseguido."
– Goethe

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Então, o que achou? As dicas foram úteis para você?
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Resenha: O Nome da Rosa

Decidi ler O Nome da Rosa, de Umberto Eco, por causa do filme. Não porque eu vi o filme e achei legal, mas porque eu não queria assistir sem antes ter lido o livro, como fiz com Laranja Mecânica. Porque eu sabia que era um suspense meio Sherlock Holmes e eu não queria estragar a surpresa da resolução sabendo quem era o assassino antes de ler.

Então, eu acabei lendo. Demorei meses pra conseguir terminar. O livro é incrível, sem nenhuma dúvida; mas trabalhoso. Umberto Eco era um grande estudioso medieval, de linguística, especialista em semiótica, e apresenta para nós um cenário super detalhado, uma narrativa rica e vários trechos escritos em latim. E é aí que começa o nosso trabalho. Porque os trechos em latim são importantes para a história. Mas chego nisso depois.

A história se passa na Idade Média, numa abadia italiana que abrigava a maior biblioteca da cristandade. Os personagens são monges e outros membros da Igreja, sendo os protagonistas um velho monge franciscano, Guilherme de Baskerville, e seu "ajudante", um jovem monge chamado Adso. Sherlock Holmes (de Baker Street) e Watson respectivamente.

A trama principal são assassinatos em série e faz bem jus à comparação com Sherlock Holmes, uma homenagem que Umberto Eco fez a Conan Doyle. Só que o livro é cheio de camadas e, além da trama principal, ele abre espaço para discussões sobre as várias facções da Igreja Católica da época, sobre filosofia, sobre a hierarquia da Igreja, sobre os métodos da Inquisição, sobre política, sobre a própria Idade Média. E sobre a biblioteca e seus segredos.

Cena do filme "O Nome da Rosa"


Sobre as passagens em latim: e aí, precisa traduzir? Como eu disse, algumas passagens em latim são muito importantes para entender a história. E não tem nota de rodapé, não tem sempre explicação da frase depois. Se você ler pulando essas partes, vai acabar pulando páginas inteiras e perder o sentido do livro. E é por isso que eu chamei a leitura de trabalhosa. Você pode encontrar a tradução dos trechos em alguns sites, mas muitas vezes vai ter mesmo que colocar no Google Tradutor e traduzir à mão os trechos que não encontrar. Inclusive, a última frase do livro é um dessas frases em latim. Não é um spoiler, é só para dar uma ideia de como você precisa mesmo traduzir o negócio.

Já li algumas resenhas de leitores que me auxiliam sempre para tirar o melhor entendimento dos livros que eu leio e agora eu estou em busca do livro Pós-Escrito a O Nome da Rosa, também de Umberto Eco, onde ele faz algumas observações sobre o livro e o que ele esperava dele. Ainda não li, mas peguei a dica e resolvi compartilhar, já que estou resenhando o livro. Deve ter muita coisa interessante ali.

No final das contas, minha leitura do livro foi bastante satisfatória. É realmente um clássico. Recomendo.

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Item 10: Um livro clássico.
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E aí? Gostou da Resenha? Você leria o livro?
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Só para mim

A maneira de tocar com tanto sentimento — um sentimento real —, como se sentisse cada nota e não tivesse nenhuma vergonha delas. Como se tocasse sua própria verdade, independente do fato de que ninguém lhe oferecia a sua. Como não se importasse com as outras pessoas que estavam ouvindo, até porque ninguém ouvia. Não realmente.

Como se tocasse para ninguém.

Ou só para mim.

"Yes, to dance beneath the diamond sky with one hand waving free 
Silhouetted by the sea, circled by the circus sands 
With all memory and fate driven deep beneath the waves 
Let me forget about today until tomorrow 

Hey, Mr. Tambourine man, play a song for me 
I'm not sleepy and there is no place I'm going to"