domingo, 26 de junho de 2016

Top 5 - vilãs

E uma lista com as melhores vilãs de séries, pode? Pode sim!

Eis que algumas das blogagens coletivas do Blogs Up que eu fiquei sem fazer em abril, se estendeu até maio e aqui estamos em junho. Eu já tinha começado essa e resolvi terminar. E fazendo esta lista, eu percebi que não vejo assim tantas séries como pensava que via. Ui.

Percebi isso quando fiz uma pesquisa por cima com meus amigos, uma enquete sobre as melhores vilãs, e eles saíram me dizendo duzentas mil séries e duzentas mil e uma vilãs. Sendo que metade delas eu nem conhecia. Depois de ser xingada solenemente por isso, eu percebi que ou eu assistia a mais séries ou escreveria sobre as que eu conhecia mesmo. E assim foi.

1- Sue Silvester - Glee

Adoro Glee. Claro que as versões nunca são tão boas como as originais e que eles usam muito auto-tune desnecessário, mas adoro mesmo assim. E, assim como Jane Lynch é uma atriz fantástica, a Sue dela é ainda mais fantástica.

2- Katherine - Vampire Diaries
Katherine é a vampira bitch que transformou Stefan e Damon em vampiros e depois sumiu da vida deles. Você até acaba tendo uma certa simpatia por ela, no decorrer dos episódios, mas a jornada dela na série termina com ela sendo a bitch-rainha-poderosa. Adoro.

3- Regina - Once Upon a Time
Não tem quem assista Once Upon a Time e não acabe amando Regina. Porque ela é a Evil Queen da Branca de Neve, uma vilã, mas é mais humana que o resto dos personagens todos juntos. Eis que ela fez tanto sucesso que acabou sendo a personagem mais legal. Alguém discorda? Porque aquela Emma, Jesus, que personagem mais sem sal. Como tudo que aquela atriz faz.

4- Victoria - Revenge
Comecei a ver Revenge como quem não quer nada e já cheguei na terceira temporada. Então, nada mais justo que colocar a rainha Victoria na lista de melhores vilãs, certo? Na terceira temporada, Victoria continua sendo uma vilã de primeira qualidade, sem essa mania das séries de acabar tornando boazinhas as personagens legais. Victoria tem seus motivos, mas são sempre egoístas e ela passa por cima de tudo para vencer. Uma verdadeira Slytherin.

5- Catherine - Reign
Comecei a ver Reign, mas parei. Por nenhum motivo, eu apenas perco o interesse na série, às vezes. Mas, enfim, já deu pra perceber que eu gosto de vilãs poderosas, né? E a rainha é uma vilã que estava por cima, mesmo condenada à morte.

Então, aqui está meu top 5. Qual o de vocês?

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Essa é uma blogagem coletiva de junho do grupo Blogs Up, com o tema "Top vilãs de séries".

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Um mundo em duas palavras

Ele era o tipo de pessoa que só dizia o necessário. Ela, pelo contrário, falava tanto que dizia até mesmo o que não devia. Eram diferentes, ao mesmo tempo em que se completavam. Os intermináveis monólogos dela preenchiam os momentos de silêncio em que ele tentava não pensar nos próprios problemas. E ria das queixas dela, das histórias, do sarcasmo. Sorria, quando devia estar aborrecido com os acontecimentos do dia. Engraçado que nunca tinha sido um bom ouvinte, mas descobrira que a voz dela o acalmava como nenhum outro tranquilizante.

Ela sabia que ele não era de muitas palavras, mas não porque não tivesse o que dizer. Sabia, porque ele opinava algumas vezes, quando discordava de uma colocação qualquer, ou quando falava sobre alguma coisa que precisava ser resolvida. Mas geralmente deixava que ela falasse. Ela nunca tinha certeza se ele estava realmente ouvindo, mas seus olhos eram sempre atentos. Ele sabia que ela descarregava as preocupações falando, que conseguia um alívio momentâneo, mesmo que não pensasse realmente tudo o que deixava escapar. E, por isso, ele ouvia. Sem mudar de assunto, sem interromper.

Às vezes, ela achava que o chateava com a falação constante. Certo dia, encontrou-o com olhar tão distante que, no nervosismo de tentar fazê-lo sorrir, desandou a falar demais. Depois, considerou que devia ter perguntado se ele queria dizer algo. Sabia que ele era uma pessoa de poucas palavras, mas falaria com ela, se precisasse. Certo?

Neste dia, torturou-se tanto que jurou por tudo ficar calada por um mês inteiro. Então percebeu um pequeno bilhete grudado na geladeira, escrito em post it amarelo. Apenas duas palavras:



Elas bastavam.

"More than words to show you feel
That your love for me is real"
 
Texto publicado em 2010.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Primeiro capítulo - Livraria

Já passava das cinco e meia, quando a porta da livraria abriu. Uma única olhadela de canto de olho foi o máximo de atenção que ele prestou à recém chegada, ocupado que estava com a organização de alguns livros que os clientes da tarde haviam deixado fora de lugar. Tinha uma rotina um tanto quanto rígida nos finais de tarde, antes de encerrar o expediente: pegar todos os livros de cima do balcão e espalhados pelos cantos da livraria, arrumá-los de volta no lugar e depois atualizar o estoque de acordo com as vendas do dia. Não era nada muito trabalhoso, visto que o estabelecimento não era tão grande, nem muito tumultuado. Para encerrar, antes de apagar as luzes, ele escolhia um livro qualquer e o levava para ler em casa.

Àquela hora da tarde, alguns clientes chegavam de seus trabalhos, procurando por algum presente de última hora; ou mesmo alguns errantes, que entravam ali por acaso ou curiosidade. A cliente que acabava de entrar parecia se enquadrar no segundo grupo. Não parecia ter pressa, então ele não se preocupou em ser solícito e eficiente. Optou por deixá-la à vontade.

Terminando de colocar o último livro no lugar, ele voltou ao balcão e ligou o monitor para conferir a planilha do estoque. Já eram seis horas, de acordo com o relógio que aparecia no canto da tela. Gostaria que essa última cliente não se demorasse muito perdida na loja e se decidisse logo a comprar algo ou a encontrar o seu caminho em outro lugar, através da porta de saída.

Enquanto esperava o programa abrir e começava a considerar seriamente trocar o velho computador por um mais ágil, apoiou os cotovelos no balcão e seu olhar caiu pela primeira vez na cliente perdida. 

Nunca a tinha visto por ali antes; registrara este fato logo que ela passou pela porta. O que só percebia agora era que ela não parecia feliz. Após observá-la mais alguns segundos, ele desviou o olhar, subitamente constrangido ao perceber o quanto sua impressão inicial havia sido eufêmica. A moça tinha lágrimas banhando sua face muito vermelha. “Não parecia feliz”, ele disse? Ela parecia, sim, completamente arrasada.

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Mais um primeiro capítulo de uma história que eu nunca continuei. O motivo desta é mais simples: comecei a escrever no meio de um hiato criativo e sem a mínima ideia do plot. Acabou que o hiato me venceu e não tinha nenhum fio para seguir. O engraçado é que, lendo agora esse início, percebi que parece demais com o primeiro capítulo de um livro que eu acabei de escrever recentemente.

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Essa é uma blogagem coletiva de abril do grupo Blogs Up, com o tema "Primeiro capítulo da história que você não terminou (e o motivo de ter abandonado)".

terça-feira, 3 de maio de 2016

Flores


Naquela manhã, foram tulipas. Tulipas brancas, frescas e totalmente fora de estação. Elisa não entendia tanta coisa ali que o fato de alguém ter encontrado tulipas num dia como aquele chegava a ser irrelevante. O que realmente a deixava admirada e confusa era esse alguém saber que ela adorava tulipas brancas mais que qualquer outra coisa.

Precisas como um relógio, as flores sempre chegavam pontualmente às sete. E, desde que começaram, nunca pulavam um dia. Ontem, vieram rosas brancas; anteontem, vermelhas. Sempre foram rosas, até aquele dia. Se ela se esforçasse, poderia até pensar em um punhado de pessoas que lhe pudesse ter feito aquele agrado, mas terminava sem se decidir por nenhuma. E essa era sua grande frustração: era incapaz de determinar com clareza quem poderia ser esse seu admirador.

— Mais flores, hein? — perguntou-lhe o seu vizinho de porta, ao chegar carregado de compras e vê-la parada no corredor, o ramalhete nas mãos.
— Sim, tulipas.
— Estou vendo. São iguais àquelas de plástico que ficam em cima da sua mesa.
Não lhe havia ocorrido tal semelhança. O vizinho encontrou as chaves da própria casa no bolso e enfiou na fechadura.
— Então, ainda não descobriu quem mandou?
— Não. É impossível. Pensei em todas as pessoas que conheço, mas nenhuma delas demonstra nenhuma atenção especial comigo.
— Nenhuma?
— Nenhuma.
— Bom, com certeza você está deixando escapar alguém.
— Talvez. Quem sabe eu sequer conheça essa pessoa.
— Você acha?
— Acho. Não sei. Bom, preciso entrar agora.
— OK. Qualquer coisa, sabe que é só chamar.
— Sei, sim, obrigada. Você é um amigão. Não sei o que faria sem você.
Disse isso e entrou.
A partir daquele dia, Elisa não recebeu mais flores.

Imagem: © Corbis
Texto postado em 2009

domingo, 24 de abril de 2016

Castelos de areia

É incrível como, quando nós crescemos, esquecemos de coisas que sabíamos quando crianças. Peguei-me pensando nisso, quando me deparei com uma imagem no Instagram @afeminista com uma citação que falava sobre sororidade. A citação em questão dizia "Paremos de foder com a vida umas das outras". A frase não usa palavras comportadas, mas não espelha menos que a realidade. O que mais existe, hoje em dia, são mulheres fodendo com a vida das outras; chamando outras de vadias por algum motivo idiota, apontando os defeitos, rindo da maneira que a outra se veste. E cobiçando o namorado, noivo, marido alheio. Traindo outras mulheres.


Quando eu era criança e chegava a algum lugar cheio de gente, eu sempre procurava alguma menina para brincar. O lugar, antes hostil, imediatamente se tornava mais agradável, porque agora eu tinha uma cúmplice. Não importava o que o resto do mundo estava fazendo, agora nós podíamos inventar nossas próprias brincadeiras, contar histórias fantásticas, fingir sermos outras pessoas, subir em goiabeiras, construir castelos de areia. E reconstruir sempre que eles fossem derrubados pelas ondas ou pisados só de maldade por algum moleque. Naquela época, ninguém nos podia alcançar.

Então, nós crescemos e nos foi dito que amizade entre mulheres não existe, que é marcada por inveja e competição. Era sempre uma tentando derrubar a outra. Tínhamos que ser a mais bonita, a mais inteligente, a mais magra. Tínhamos que não apenas ser interessantes para os homens, mas ser a mais interessante, mesmo que para isso passássemos por cima de alguém. Por cima de outra mulher. Por cima do nosso amor próprio.

Sendo que nada disso é verdade, Não precisamos agradar ninguém, a não ser a nós mesmas. E toda a cumplicidade que tínhamos com as mulheres da nossa infância, é essa que precisamos lutar para recuperar. Porque somos as nossas maiores aliadas. Imaginem um mundo onde mulheres não se julguem e não se condenem. Um mundo em que mulheres se recusem a fazer mal às outras por causa de homem, um mundo em que não seriam traídas. Um mundo em que mulheres não fodam com a vida das outras. Não usamos palavras comportadas, porque não nos interessa ser "moça direita" para outras pessoas. Seremos quem nós quisermos, para nós mesmas. Não digo que vamos conseguir erradicar o mal totalmente, mas o quanto não poderíamos diminuir isso somente se nos respeitarmos? Se nos dissermos todos os dias que ninguém passará por cima da nossa sororidade?

Nós não somos apenas amigas, somos irmãs. Unidas somos mais fortes. E uma vez que mais mulheres amarem umas às outras, poderemos construir o nosso mundo, o nosso castelo. E, desta vez, ele não será de areia.