segunda-feira, 8 de março de 2010

A caminho de algum lugar


É andando por essas estradas que percebo o quanto ainda falta caminhar. Não importa o quanto eu ande; olho para frente e só vejo o desconhecido. O inusitado. O duvidoso. Encontro sempre um caminho inteiramente novo, mesmo que ele se pareça muito com o de antes.

E os caminhos teimam em se parecer. Basta uma árvore num lugar específico, uma pedra da mesma cor e eu já penso que passei por ali, algum dia. É quando a gente teima nas mesmas ações. Mesmo agora, frente a uma ponte, num abismo de profundidade ignorada, parece que reconheço algumas semelhanças e não consigo deixar de temer o mesmo final. A queda iminente. Nessas horas, duvido das cordas, duvido dos alicerces. Duvido de tudo. Nessas horas, não consigo ver luz na escuridão do abismo. O negrume persiste e parece eterno. Talvez seja.

E logo adiante, um desvio, uma decisão. Uma situação inusitada, que nos leva a fazer escolhas e sofrer as consequências. A rir. A derramar lágrimas. A viver na inércia eterna. E assim continuamos nossa caminhada; ora despertos, ora — e muitas vezes — perdendo a consciência. Perdendo a razão.

E a cada curva, uma paisagem, um instante diferente. Às vezes, gosto de tais surpresas. Às vezes, gostaria de saber o caminho.


Você não sabe o quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui.


Imagem: stock.xchng

11 comentários:

Jullia A. disse...

'E vazio.
Meu vazio 'e bom. 'e o inusitado. Gostei, de verdade. queria que a frase' A viver na inércia eterna.' fosse minha.

respondi no meu blog seu comentario sobre o desenho (:

Manuh *.* disse...

a cada escolha, há uma perda.
o futuro sempre seria inusitado!
precisamos disso.

xx
*.*

Bruno Portella disse...

Será esse nosso problema? Andamos, quando deveríamos voar?

E se voássemos, veríamos o que teria à frente pra melhor decidir, ou será que haveriam esquinas nas nuvens também?

Priscila Lima disse...

feliz Dia!
Abraço.

Paulinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulinho disse...

A ignorância consciente. Quando a gente se depara com uma bifurcação e escolhe um caminho. As vezes me frustra pensar que nunca vou saber o que tinha naquela outra passagem não escolhida.


É sempre muito bom passar aqui, excelente nível. Textos mais maduros. Lindo! Beijos.

pensador made in vaso disse...

Gostei muito do texto.
vc sempre escreve bem.
Ah, te indiquei a 2 selos.
passa lá no meu blog e pegue-os.
abraços

Nanda Nascimento disse...

O desconhecido sempre é atraente, é bom se deixar guiar.

Beijos!

Thiago disse...

Essa é a estrada da vida...conforme as marcas individuais que possuímos nas palmas das mãos..nenhuma pessoa percorre o mesmo caminho da outra...embora alguns ainda tentem…
Parabéns pelo dom da escrita.

Luciana Farias disse...

Estava com saudades de passar por aqui...

Preciso criar vergonha na cara e aparecer mais...

Beijão!!!

Mehazael disse...

Muito bonito, como de costume, inclusive. Achei que seria um texto meio dramaático, meio melancólico, e até foi, mas de um jeito bom. Talvez seja meu estado de espírito atual, ou talvez (e muito provavelmente) seja pela força das tuas palavras, mas me senti tocado pelo texto. E acho que não há elogio maior para um texto do que tocar o seu leitor e deixar-lhe uma impressão. Bom mesmo. Abração!