sábado, 20 de março de 2010

No sense

Estava num lugar com pessoas malucas e músicas malucas. Não conhecia aquelas pessoas, nem aquelas músicas. Elas não combinavam entre si, nem com aquele lugar tranquilo, de mar, areia, varanda. Lugar que era meu, familiar, mas não parecia me pertencer. Não com aquelas presenças malucas.

Quis fugir, a cabeça rodando, um mal estar sem tamanho. Tudo me incomodava, me angustiava. A única presença que fazia sentido não estava fazendo nenhum sentido. Quem eram aquelas pessoas? Quem era aquela pessoa? E aqueles instrumentos musicais empilhados numa mesa, na varanda? Um bandolim, violões, violinos, percussão. Nada tinha lógica. Eu precisava de lógica. Eu precisava sair dali. Fugir. Correr. Angústia.

Um violão. E, de repente, alguma coisa fez sentido. Preto, reluzente, magnífico. Significativo. Entendi o que ele estava fazendo ali: alguém não estava lá para tocá-lo. É provável que nunca mais estivesse. Só espero que esteja num lugar que tenha mais sentido que este aqui. Em paz.

"While my guitar gently weeps"

Imagem: stock.xchng

11 comentários:

rodrigo. disse...

"naquela mesa tá faltando ele. e a saudade dele tá doendo em mim."

Magna Santos disse...

É, Marina, acho que o Rodrigo resumiu(ou refletiu) bem tudo o que podemos sentir com estas tuas palavras.
Beijo.
Magna

Mehazael disse...

Como esmpre, palavras sensíveis em um texto muito bonito e significativo. Poderia parar de escrever tão bem? Estou começando a ficar sem adjetivos pra te elogiar :P
A única reclamação que tenho (sempre tenho uma; perfeccionista irremediável que sou...), que não é bem uma reclamação, é na expressão "alguma coisa fez sentido". A palavra "coisa" parece 'quebrar' a fluência do texto, como se não pertencesse àquele lugar. Pode ser preconceito, pode ser o que me ensinaram em cursinhos e até na própria faculdade, mas "coisa" me parece tão comum e vulgar; não mantem o nível do resto do texto (que, como sempre, é altíssimo). Espero que me perdoe pela minha chatice (que de tão grande chega a me cansar...).
Beijão, e que bom que tu gostou da música. Realmente, é muito bonita!

Juliana Mendes disse...

se tem algo que eu queria afinar um dia era um violão..
eu até arranho um pouco...
sou louca por música, de todo tipo e qualidde, só odeio quem n sabe discutir sobre ela..
--'

Rafael disse...

A pessoa maluca era eu.
bjs

A Magia da Noite disse...

nada como um violão para cantar uma canção.

Vivendo na Eternidade disse...

Magnífico. Engraçado como temos mania de simbolizar tudo. Geralmente, os símbolos se tornam mais intensos quando os associamos a pessoas queridas que já não estão mais por perto. Tenho uma história parecida em minha vida, por isso me identifiquei tanto com seu texto. Parabéns, de verdade. Eu e Alice conferimos também os contos em diálogo. São incríveis, haha. Que bom poder conhecer seus pensamentos. Deixamos a você um grande abraço, Marina. Quando quiser, nos visite, pois a visitaremos sempre a partir de hoje.

Alice/Carter.

Mehazael disse...

Mari, Mari. Eu descobri hoje que sou um idiota (tem gente que tá tentando me convencer há tempos, mas eu não acreditava). Eu só vi agora aquela função do twitter pro @ pra falar direto ou responder a outra pessoa. E só agora (quase 6 meses depois) eu vi que tu tinha procurado e me oferecido layouts pro blog. Sinto muito. Se ainda tiver, quero. Se não, tb não tem problema.
Mas, pra variar, lá fui em fazendo burrada. E espero que ão tenha levado a mal, eu que sou idiota e não vi os teus twits. Sorry ^_^"

ps: espero que tu saiba que aprecio a tua ajuda e que gostei dela. Só espero que saiba tb que sou um pouco lerdo (6 meses depois, to eu aqui falando disso...). Mas eu tenho um bom coração, juro!

O Matuto disse...

alguns acham - ou achariam o texto triste - eu achei engraçado...
"festa estranha com gente esquisita..."
abs

Nanda Nascimento disse...

Incrível como seu texto flui...muito bom!

Beijos e flores1

Fábio Plumari disse...

Brilhante seu texto.

Acho que eu também sou esse tipo de pessoa, mas quando digo que está tudo bem acho que muitas coisas estão realmente bem e uma ou outra nos puxa para baixo. É um peso desigual, você está vivo, você tem dons, você tem muitas pessoas que se importam com você, mas basta alguma pequena coisinha não sair do jeito que você esperava para tudo se transformar e não ficar tudo bem... Ainda bem que nosso inconsciente reconhece o real peso das coisas e diz 'Está tudo bem'... E mesmo que o sorriso murche pelo menos ele existe.

=)

adorei seus textos, quem sabe uma hora eu não possamos fazer um post em conjunto, você com o dom da escrita - que é muito boa aliás, parabéns! E eu com a ilustração.

beijo