quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

In the stand of the sports arena...

Eram exatamente nove e trinta e cinco da noite, quando ele surgiu diante dos meus olhos cansados. Que se esqueceram do cansaço na mesma hora para começar a derramar lágrimas sem que eu percebesse. Eu sabia que ia chorar, até avisei antes; mas não pensei que fosse com a simples visão dele. Pensei que choraria com os acordes iniciais de The long and winding road ou Hey Jude. Mas as coisas não foram assim tão racionais; acho que, até aquele momento, ainda não estava acreditando.

Foi quando caiu a ficha: ele estava mesmo ali. Eu o estava vendo. Eu o estava ouvindo. E, mesmo que tenham dito que ele não tinha a mesma voz de outrora, nenhuma daquelas 64 mil pessoas pulando, aplaudindo, gritando, de olhos encharcados de emoção, se importou, ou mesmo percebeu. Pessoas de todas as idades, de pé desde cedinho apenas para vê-lo. Não o show, mas ele. Sem todos aqueles fogos, telões, luzes, estariam todos lá da mesma maneira.

Sim, eu entre elas. E pude ver que ele não era só mais uma estrela ali em cima do palco, diante de todas aquelas pessoas; era alguém nitidamente encantado com a imensa quantidade de gente esperando por ele há horas, dias, meses, anos. A vida inteira. Eu vi um ser humano tentando se comunicar com uma nação toda num idioma estranho a ele, mesmo que suas músicas já o tenham feito bem antes. Vi a humildade de alguém que jamais se esqueceu dos seus grandes amigos, igualmente aclamados, infelizmente ausentes, lembrados em lindas homenagens. Vi uma verdadeira lenda ser muito mais simples que muito artista chinfrim por aí.

Eu vi um Beatle. Mais do que isso: eu vi Paul McCartney.


#MemeDasAntigas: Dia 09/12 – Meu show preferido de 2010

8 comentários:

disse...

And in the end,the love you take is equal to the love you make.

Ele deve acreditar nisso até hj
:D

Camila disse...

Legal! Que sorte!


beijos daqui...

Otavio Oliveira disse...

nunca vou superar. nunca vão superar.

Larissa Bohnenberger disse...

Nossa, tô chorando tudo de novo só de lembrar como foi. Acho que você conseguiu descrever minha emoção melhor que eu mesma. Meu pai veio com essa de que a voz dele não era a mesma de antigamente. Pra mim, ali, naquele momento, ele cantou melhor do nunca havia antes. Foi mágico!

Bjs!

Andréia Alves Pires disse...

Ai, guria... que saudade da tua escrita. QQue delícia passar aqui e ver as tuas coisas... O tempo anda muito curto. :D bjo, bjo.

Leila disse...

Eu pensei em mil maneiras sobre como descrever tudo o que senti... mas acho vc o fez com muita propriedade. Muito obrigada! No meu caso, as lágrimas rolaram, para minha surpresa, com The long and widing road, sendo que nem era minha favorita. Valeu a chuva, foi inesquecível!

Rebeca Amaral disse...

Pô, que maravilhoso! Queria tanto ter ido ver Paul. Mas chorei, mesmo que vendo pela TV, quando ele cantou Yesterday. Lindo!

Eduardo Trindade disse...

Eu estava sentindo falta de tuas palavras sobre o show. Vi-me a ponto de pedir que (me/nos) escrevesses.
Imagino o que sentiste, porque eu também me extasiei, chorei e saí do estádio anestesiado. Indescritível.
Abraços, guria!