segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não dito

Fui dormir com aquilo na cabeça. Uma conversa pendente, um assunto inacabado, coisas que deveria ter dito e não disse por receio de não ser compreendida. Ou, até mais provável, preguiça de conflitos. Falta de paciência. Mas odeio coisas não ditas. Nunca deixo de dizer o que estou pensando, de deixar claro que não aprovei alguma insinuação. Porque acaba que depois o "não dito" me aperta a garganta e me impede de agir com naturalidade.
Às vezes, estou sendo apenas sensível demais; então, eu falo depois de pensar um pouco. Já me aborreci muito com sentimentos guardados, mágoas reprimidas, amizades penduradas. Até um dia explodir e dizer coisas piores que aquelas que não foram ditas. Magoa mais. Devasta mais.
Mesmo assim, fui dormir com aquilo na cabeça. Pensei que esqueceria, porque não costumo dar tanta importância ao que pensam pessoas que não são próximas, ao menos a longo prazo. Mas algumas importam. E incomoda. Algumas, de alguma maneira, importam tanto que causa revolta. Eu fui dormir com aquilo na cabeça. E não dormi.



"I want to tell you
My head is filled with things to say
Maybe you’d understand."

9 comentários:

Leonardo Xavier disse...

Essa sensação é algo realmente ruim, sentir que devia ter dito algo mas não disse e sentir aquilo que deveríamos ter dito se repetindo na nossa cabeça.

Luciano A.Santos disse...

Tem situações que não dá pra evitar: ou se fala ou se fica com aquilo remoendo nas entranhas. Pro bem ou pro mal, é melhor falar.

Leila disse...

Poxa, é assim mesmo, não? A gente pensa, pensa. Acha que talvez seja exagero nosso, tenta relevar, ser mais flexível, mas no fim não esquece, não dorme, remoe, não dorme... e o cisco vira um verdadeiro tronco! Por que será que somos assim, hein?

Rebeca Amaral disse...

Comigo é assim, no momento que devo dizer alguma coisa não consigo. É como se embranquecesse tudo e nenhuma palavra saísse. Aí depois volto ao seu mesmo dilema, buscando o não dito, o que eu realmente quis falar e não consegui. Por conta disso surgem mal-entendidos e conflitos com que a gente ama. Se eu pudesse eu diria, juro.

Um beijo.

George Marques disse...

Sei bem disso. Sou cheio de "não ditos". Não sou bom em dizer, prefiro muito mais escrever.

Mulher ao Cubo disse...

E ainda fica pior, quando nos deitamos com esses pensamentos, porque parece que a insônia multiplica tudo: a ansiedade, a raiva, a mágoa...

Larissa Bohnenberger disse...

Que coisa ruim, né? Eu também não gosto de ficar com nada entalado, mas ás vezes acaba acontecendo. Eu ainda extravaso falando sozinha - sim, sim, sou louca e tenho consciência disso. Mas que funciona, ah funciona!

BJS!

Dois Rios disse...

Oi, Marina!

Nossa, quantas vezes já senti a desagradável sensação de engolir palavras a serem ditas!

Hoje, não faço mais! Não só por mim como também pelo outro. Sim, porque mais tarde essas mesmas palavras, que poderiam ter fluido placidamente, virão à tona de forma acusatória e agressiva.

Prefiro dormir sem aquilo na cabeça. E dormir mesmo, rsrs....

Beijo,
Inês

Wi disse...

Por muito tempo, pequei por guardar as coisas que me incomodavam, me feriam e me irritavam, porque achava que não faria sentido tocar nelas.
Acabou virando um tipo de bola de pêlo dentro de mim e, quando notei, estava vomitando tudo na hora errada, do jeito errado.
Tô tentando encontrar o equilíbrio, mas é difícil, né?