terça-feira, 15 de julho de 2014

Momentos e música

Uma vez, alguém me disse: "não associe uma música a alguém" e eu sempre soube que essa pessoa tinha razão. Mas é difícil; a gente termina associando tudo nessa vida e eu sou dessas que associa tudo a música. Então basicamente esse é um desafio que eu nunca cumpri. E esse é um dos motivos pelos quais eu choro por tudo, por nada. Esse e o fato de eu ser mole mesmo. O problema é que, por já ter nela meio intrínseco esse componente emocional, a música meio que preenche as lacunas de sentimento que falta na vida. Aí a gente traz para junto, para dentro, para a vida. Associa. Perde e chora.

Uma vez, aconteceu de eu gostar muito de uma pessoa que me emprestou um CD. Só que a pessoa não gostava tanto assim de mim e isso foi bem ruim. Foi embora, mas as músicas do CD ficaram. Passei muito tempo para conseguir dissociá-las da pessoa, ainda mais porque elas só falavam em sentimentos fortes, amor e perda. Consegui, enfim, desligar as músicas da pessoa, mas elas ficaram irrevogavelmente ligadas àquele momento.

Hoje, eu sinto um grande carinho pelas músicas. Hoje, elas não machucam. Acho que ligar música a momentos faz essa coisa de associar música a pessoas daquele momento ser mais suportável. Momentos criam saudades saudáveis, fazem parte da nossa vida e, mesmo que doa, a dor ameniza e a lembrança fica. A música fica e adquire um sabor melancólico. A música fica com o momento e permanece. E os momentos são nossos. As pessoas, elas nunca são de ninguém.

"And the songbirds are singing
like they know the score"


Imagem: Flickr - Creative Commons
Música: Songbird

4 comentários:

Antônio Dutra Jr. disse...

Na tua apresentação há algo sobre tu cantar. Pois bem, eu também gosto de cantar nas rodas de viola dos amigos e, de tanto cultivar esse hobby, acabei pegando gosto pela essência da música.
Isso faz toda a diferença na forma como vemos e sentimos uma melodia, uma letra, um ritmo. Daí a associar às pessoas e momentos é bastante rápido.
Gostei das muitas frases marcantes que tu escreveu nesse texto. Ia destacar uma, mas depois apareceu outra, e outra, e outra... foi como música para os meus ouvidos. Ou, no caso, olhos.

Beijo!

Marina disse...

Obrigada, Antônio. Faz muito tempo que não escrevia nada muito profundo por aqui. Foi importante ler suas palavras de incentivo.

Beijos.

Antônio Dutra Jr. disse...

Vim responder teu comentário por aqui, tenho essa mania de responder comentário da pessoa no blog dela com medo que ela não leia minha resposta e deusdocéu quase fiquei confuso. E é isso.

Fico feliz da vida quando alguém reconhece que meu blog não é só um "rostinho bonito". Aliás, esse nunca foi meu propósito. Apenas escrevo pra quem gosta do que escrevo e também pra contar histórias, é bem pessoal.

Encontrar o Rotaroots foi um achado e tanto, pois já vi que farei novas e boas amizades por lá. Acompanhar a blogagem coletiva é realmente uma bela forma de interação, já que eu também provavelmente não terei tempo de participar sempre das conversas.

Beijo pra ti, guria!

Mª Fernanda Probst disse...

Sou dessas que põem trilha sonora para tudo na vida. Cheguei a desgostar e não ouvir algumas músicas, só pelas memórias que essas me causam, mas o tempo sempre dá um jeito de resolver tudo. Agora, para me desapegar, cato uns funks toscos para fazer parte de tal término/situação ruim/whatever e logo a coisa vira piada e passa.


Adorei cantinho aqui.

Beijos