sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Semelhanças

É engraçado como criamos personagens parecidos com a gente sem nem sequer perceber. Ou mesmo sem querer. Ainda agora, estava fazendo um pão e pensando que não cozinhava quase nada quando escrevi a personagem do meu primeiro livro. Para quem não conhece, Isabel trabalha numa padaria.

Comecei a me interessar por cozinha bem recentemente. Sabia fazer uma coisa ou outra, coisas que eu gostava de comer, como uma torta de maçã, sopa e molho de tomate. Mas não passava muito disso. Cozinhar costumava me dar um pouco de enjoo das comidas que eu fazia.

Quando criei Isabel e Fernando, foi para um conto. Um evento só, um encontro. Não tinha intenção de continuar nada. E ela surgiu assim, meio do nada. E, então, surgiu a ideia de escrever um livro. A história foi se construindo e tomou forma.

Então, sem perceber, fui tomando gosto pela cozinha. Hoje, sovando o pão que pretendo assar só amanhã, pensei na personagem. Pensei na possibilidade de ter tomado gosto por cozinhar por causa dela. Por ter me envolvido nas atividades dela, por muitas vezes ir pesquisar algumas receitas no meio da escrita do livro porque me deu fome.

Mas concluí que foi o contrário. A gente termina colocando alguma coisa da gente nos nossos personagens. Não tem muito como fugir da personalidade que a gente coloca nele enquanto o deixa divagar, mesmo quando estamos escrevendo um personagem bastante diferente da gente. É difícil deixá-lo completamente à parte. Mas essa semelhança em particular me deixou feliz.

Esse pão que vou assar amanhã vai ter um gosto bem diferente, depois desse reconhecimento. 😋


Um comentário:

Unknown disse...

Eu diria que é mais que difícil deixá-lo à parte. É impossível. Se for pro personagem ter vida de fato, é impossível.
Fico feliz pela descoberta. A culinária tem um "quê" se sagrado quando compartilhada.
Que sua experiência seja deliciosa! :)